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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Disso que ela estava precisando



Tomou mais um gole de café, olhou-se rapidamente no espelho e sorriu lembrando da noite anterior. Pegou a bolsa, saiu pela porta e um arrepio tomou conta do seu corpo enquanto, no elevador, imaginou a voz dele sussurrando em seu ouvido.

Ele a olhava com desejo, os beijos eram quentes e, embora ela tentasse deter as mãos bobas que insistiam percorrer o seu corpo, ela gostava do toque delas. Ele sabia a hora de ser carinhoso e sabia quando o carinho não era tão bem-vindo assim. Ele sabia o que fazer e fazia muito bem. Ele parecia saber tudo o que ela gostava e era disso que ela estava precisando. 

Havia saído apenas para um chope com as amigas e, quando se afastou para fumar seu cigarro, ele se aproximou e perguntou se ela tinha fogo. Mas é claro que ela tinha!

Começaram a conversar e ele parecia todo errado. Trocaram telefone e, embora ela tivesse achado que aquele cara estava longe de ser o pretendente que ela procurava, não conseguia tirar da cabeça aquele sotaque carregado e aquele sorriso safado. Despediram-se com um abraço apertado e ela percebeu que se danassem os bonzinhos, era disso que ela estava precisando.

A ideia era encontrá-lo para jantar, mas optaram novamente por um bar. Beberam, comeram e, na hora da conta, ele fez questão de rachar e ainda brincou: "Você parece ter gostos caros". Ora essa, tinha sido ele mesmo quem havia escolhido o local! Mais um cigarro antes de partirem e despediram-se com um beijo. Ou ao menos tentaram.

A casa dele nem de longe lembrava o apartamento organizadinho dela, mas ainda assim ela se sentia à vontade. Era como se já conhecesse aquele lugar onde passaria toda aquela noite. E que noite! Era realmente disso que ela estava precisando.

Acordou abraçada a ele, logo com os primeiros raios da manhã. Seu corpo doía, mas ela estava feliz, pois cada minuto acordados tinha valido a pena. Ele se levantou para sair para trabalhar. Vestiram-se e despediram-se com um beijo doce, como um casal de namorados, e saíram em seus carros, cada um para seu destino. Ele entrava cedo e já estava atrasado. Ela ainda tinha um tempo e foi para casa descansar. 

Ela sabia que ele não era o cara, mas não se importava. Pensava nele e ria feito boba. Ele não ia ligar no dia seguinte, nem muito menos mandar flores em seu aniversário, mas sabia muito bem como deixá-la feliz. Chegou no escritório e tomou um copo de água bem gelada para acalmar-se e finalmente começar a trabalhar. Era disso que ela estava precisando.