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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Menos complicado...


Já faziam duas semanas que não se viam e, embora sentisse falta do namorado, Olívia sabia o quanto estava corrida a vida de Theo. Provas na faculdade, a mãe doente e novos projetos no trabalho, onde havia sido recentemente promovido.

Sua vida também não estava nada fácil: o chefe a infernizava no trabalho e ela procurava brechas para se ausentar e realizar entrevistas de emprego; além disso comprometera-se com cursos extracurriculares e alguns freelas. Chegava em casa todos os dias tarde da noite e mal conseguia conversar com sua família.  

As trocas de mensagens outrora frequentes passaram a rarear. Era um bom dia aqui, um boa noite ali, um "saudade de você" ou talvez um "que dia corrido, como você está?", mas, muitas vezes, ela percebia que passara o dia todo com o celular largado no fundo da bolsa e que, quando o pegava para olhar as horas no final do dia, ele continuava lá sem nenhuma novidade, nem mesmo das amigas.

Era tarde de domingo e, enquanto zapeava os canais deitada no sofá, ela pensava na lista de coisas que teria a fazer no dia seguinte. Precisava pintar as unhas também, mas se via se energia. Depois de tirar um cochilo, talvez.

Olívia não era muito romântica, não por não acreditar em histórias de amor, mas, talvez, por ter se acostumado a fazer muita coisa sozinha. No começo do namoro, achava até que Theo a sufocava sendo sempre tão presente e enviando tantas mensagens ao longo do dia. Acostumou-se e aprendeu a corresponder, mas nos últimos dias realmente não conseguia tempo nem mesmo de pensar sobre aquilo.

Naquele raro momento de ócio, pegou o celular e, olhando para a foto dele, digitou a mensagem: "queria que você estivesse aqui comigo...". Olhou fixamente para ela e depois a apagou. 
Com o coração apertado, se levantou e pegou sua caixinha de manicure. 

Só queria um abraço dele naquele momento, mas sabia o quanto estava corrida a vida de Theo. Ah, se tudo fosse um pouco menos complicado...