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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O presente

  Lembrava-se da festa de casamento com carinho e saudades. Acreditava que jamais se sentiria tão bonita, feliz e realizada como naquele dia. Casou-se na data em que completava cinco anos junto de Leonardo: a decoração da igreja e do salão, o buffet, as músicas  que animaram a noite... Cada detalhe fora escolhido de forma a aquele ser o casamento dos sonhos de Sarah.
   O vestido de noiva. Ah! O vestido de noiva. Parecia uma princesa moderna. A maquiagem leve, que realçava seus olhos claros; o penteado semi preso no véu de renda francesa. Estava linda e contente de poder iniciar uma família com seu amado.
   Pensava que jamais se sentiria tão plena, mas agora se via, novamente, imersa em sentimentos únicos e inexplicáveis. Há algum tempo vinha se percebendo diferente; não tão bem, devia confessar, mas, de certa forma, mesmo quando aparecia o mal estar, parecia ser algo bom. Era estranho. Não imaginava que era assim.
   Era uma sexta-feira fria de agosto e fora trabalhar normalmente, mas, após o trabalho, não resistiu e passou no shopping próximo ao escritório, de onde saiu com um pequeno pacote nas mãos. Chegando em casa, confirmou com a sogra a presença no almoço de dia dos pais. Com seu pai jantaria na noite de domingo.
   Escondera o pequeno pacote que comprara no fundo do armário e passara a noite de sexta e todo o sábado como se nada tivesse acontecido. No domingo de manhã acordou cedo e preparou um café da manhã especial para Leonardo, colocando, no cantinho da bandeja, o pequeno embrulho que estava escondido.
   Acordou o amado com um beijo doce, surpreendendo-o com toda aquela produção. Percebeu o marido, ainda sonolento, abrir devagar o presente que havia comprado: pequeninos sapatos de lã vermelha, cor sugerida pela vendedora para dar sorte.
   - Feliz dia dos pais, papai!
   Logo um sorriso se abriu entre lágrimas de emoção no rosto do casal. Fora quando se encontraram no altar, anos atrás. Abraçaram-se e o futuro papai beijo carinhosamente a barriga de Sarah. Eram, finalmente, uma família completa.