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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Cazuza, um idiota morto.

Recebi um e-mail, com esse título e cujo o texto publico abaixo, e gostaria de compartilhar com vocês.

O texto tem muito a ver com a reflexão que publiquei na última sexta-feira no Blog, e foi escrito pela psicóloga clínica Karla Christine (apesar da semelhança do nome juro que não é psideudônimo meu), provavelmente há alguns anos, mas, como só o vi agora, compartilho como se novo, pois certamente nem todos o viram.

Após assistir ao filme do Cazuza, a psicóloga escreveu essa reflexão para as famílias levantando o seguinte questionamento: "Não estaríamos elegendo ídolos errados?". Vejam:
Psicóloga x Cazuza!



'Fui ver o filme Cazuza há alguns dias e me deparei com uma coisa estarrecedora.. As pessoas estão cultivando ídolos errados..
Como podemos cultivar um ídolo como Cazuza?
Concordo que suas letras são muito tocantes, mas reverenciar um marginal como ele, é, no mínimo, inadmissível.
Marginal, sim, pois Cazuza foi uma pessoa que viveu à margem da sociedade, pelo menos uma sociedade que tentamos construir (ao menos eu) com conceitos de certo e errado.
No filme, vi um rapaz mimado, filhinho de papai que nunca precisou trabalhar para conseguir nada, já tinha tudo nas mãos. A mãe vivia para satisfazer as suas vontades e loucuras. O pai preferiu se afastar das suas responsabilidades e deixou a vida correr solta.
São esses pais que devemos ter como exemplo?
Cazuza só começou a gravar porque o pai era diretor de uma grande gravadora..
Existem vários talentos que não são revelados por falta de oportunidade ou por não terem algum conhecido importante.
Cazuza era um traficante, como sua mãe revela no livro, admitiu que ele trouxe drogas da Inglaterra, um verdadeiro criminoso. Concordo com o juiz Siro Darlan quando ele diz que a única diferença entre Cazuza e Fernandinho Beira-Mar é que um nasceu na zona sul e outro não.
Fiquei horrorizada com o culto que fizeram a esse rapaz, principalmente por minha filha adolescente ter visto o filme. Precisei conversar muito para que ela não começasse a pensar que usar drogas, participar de bacanais, beber até cair e outras coisas, fossem certas, já que foi isso que o filme mostrou.
Por que não são feitos filmes de pessoas realmente importantes que tenham algo de bom para essa juventude já tão transviada? Será que ser correto não dá Ibope, não rende bilheteria?
Como ensina o comercial da Fiat, precisamos rever nossos conceitos, só assim teremos um mundo melhor.
Devo lembrar aos pais que a morte de Cazuza foi consequência da educação errônea a que foi submetido. Será que Cazuza teria morrido do mesmo jeito se tivesse tido pais que dissesem NÃO quando necessário?
Lembrem-se, dizer NÃO é a prova mais difícil de amor .
Não deixem seus filhos à revelia para que não precisem se arrepender mais tarde. A principal função dos pais é educar.. Não se preocupem em ser 'amigo' de seus filhos.
Eduque-os e mais tarde eles verão que você foi à pessoa que mais os amou e foi, é, e sempre será, o seu melhor amigo, pois amigo não diz SIM sempre.'


Nota: as partes que grifei foram as que vieram grifadas para mim por e-mail também




Nunca fui uma super fã de Cazuza, tampouco conheço todo o seu repertório musical, apesar de gostar bastante sim de algumas canções que conheço e de não poder negar sua qualidade vocal e autoral. Quanto à sua trajetória de vida, conheço o que vi no filme (que me comovi ao assistir), mas, pensando friamente sobre os fatos, até concordo, em partes, com a visão da minha xará, mas também acredito na chamada psicologia reversa, ou seja, mostrando um cara que fez tudo errado, talvez pudessemos alertar aos jovens de como não fazê-lo...


O que me surpreendeu foram palavras tão duras e críticas vindas de uma psicóloga. Pensei na mãe do Cazuza lendo isso, dona Lucinha Araújo e também no projeto Viva Cazuza, mantido pela família... Acho que a discussão não pode ser vista de maneira tão simplista assim como viu Karla, a outra, não eu; mas também acho que é um ponto de vista a ser considerado e, por isso, compartilho aqui para discussão.


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Aliás, o texto acima me fez pensar na história de Raquel Pacheco, a Bruna Surfistinha, jovem de família abastada (mesmo que filha adotada, essa ainda era uma família de posses), que se rebelou-se, decidiu se prostituir e ganhou muito dinheiro com isso; conheceu o príncipe encantado e deixou a "vida fácil" para poder, em um futuro próximo, constituir sua própria família.


Raquel/Bruna também teve a vida transformada em filme e a questão que fica é: quantas jovens será que não terão a "brilhante" ideia de seguirem seus passos influenciadas pelo roteiro? Será que serão mesmo influenciadas ou apenas motivadas por ele?  Como funcionará a psicologia reversa nesse caso em que, apesar de tudo, de alguma forma, a protagonista ainda sai como vitoriosa? Será que essas jovens vão pensar que, a história de Raquel/Bruna é uma em um milhão e que, obviamente, a maioria das prostitutas não tem a "sorte" que ela teve?


Claro que não podemos elevar a ex-prostituta ao status de ídolo como acontece com o ex-músico, no entanto as discussão e polêmicas a cerca dos roteiros são as mesmas e por isso estão aqui para reflexão.